Inspiração

São Paulo Design Week 2025

Fevereiro de 2025

Que inteligência é essa?

O que se entende por verdade, inteligência e artificialidade em um mundo mediado por máquinas que produzem, filtram e disseminam informação por meio de algoritmos de Inteligência Artificial?

A inteligência, suposto atributo dos organismos vivos, hoje se dissocia da biologia e se cristaliza em operações algorítmicas desenhadas para emular o cérebro humano. Mas algoritmos não têm corpo, não sonham, não intuem. Não conjecturam. Ainda assim, insistimos em tratá-los como animados, projetamos neles afetos e expectativas que antes era reservados às entidades vivas. Deveríamos buscar outra palavra que não "inteligência"? Deveríamos reavaliar nossa forma de nos relacionar com esses sstemas?

Redes de algoritmos automatizados e autônomos, como os das redes sociais, vêm substituindo a experiência e roteirizando nossas vidas com suas notificações. Consequentemente, reescrevem a história e influenciam, em larga escala, o futuro de populações, cidades e, a longo prazo, do próprio planeta. O constructo social é, cada vez mais, um jogo de narrativas que escapa ao real, um real que se dilui na modelagem, na interpolação e na simulação algorítmica que o substitui, sem nunca tocá-lo.

O que resta de um mundo quando sua experiência é constantemente premeditada, ajustada e otimizada pela mediana, pela média, pelo meio, pela mídia? O que escapa à indexação algorítmica se torna ruído e é descartado. Mas, paradoxalmente, o ruído pode ser a única possibilidade de fricção contra essa normatização. Há um real para além da predição?

Que inteligência é essa? coloca em diálogo um conjunto de obras que nos leva a adentrar estas e outras questões sobre aquilo que consideramos verdadeiro, inteligente e artificial.

Quem produz a inteligência? Quem modula as redes? E se desconectar for o único gesto radical possível? 

Fernando Velázquez e Lucas Bambozzi

Fevereiro, 2025

 

Obras:

Filtro, 2025 
Moola
site-specific
2 x 6 x 3m 

Filtro é uma trabalho-ambientação do tipo site-specific inspirado pelo conjunto de obras da exposição. Consiste em um emaranhado de galhos recolhidos das ruas de São Paulo, especialmente após tempestades, ocupando a vitrine de vidro na entrada do espaço e estabelecendo um filtro entre o exterior e o interior. O acúmulo caótico desses resíduos remete, por um lado, ao agravamento da crise climática, cada vez mais frequente no cenário urbano, com chuvas intensas e imprevisíveis, e, por outro, à falta de planejamento dos órgãos públicos na gestão da cidade, expondo tanto a negligência quanto a força emergente da natureza, que impõe nossa fragilidade. Ao serem deslocados do ciclo natural de decomposição, esses fragmentos de árvores perdem sua função ecológica e se tornam resquícios de um sistema em colapso, o que na floresta se renovaria, na cidade se torna entulho, um resíduo que sintetiza nossa relação cada vez mais artificial com o mundo natural. A obra estabelece um duplo jogo de percepção: à distância, a massa orgânica remete ao ruído matemático, base das obras generativas e da inteligência artificial, tensionando a relação entre desordem e estrutura, entre a aleatoriedade da natureza e a lógica computacional que modela os algoritmos. 

Fardo, 2020 
Diego de los Campos
Instalação interativa 
Manequim articulado de papelão, motor,
microcontrolador, sensor, estrutura de madeira 

Fardo é uma instalação em que um manequim de papelão em escala humana, articulado com precisão anatômica, é suspenso por uma haste conectada a um motor de portão elétrico. Um sensor de presença ativa o mecanismo, desencadeando coreografias inesperadas que simulam gestos humanos, mas que, ao serem analisados com atenção, revelam sua impossibilidade. A obra nos coloca diante de um paradoxo: o manequim, que encarna a figura humana, está sempre em descompasso com a máquina que o governa, condenado a reagir, a ser arrastado, nunca a comandar. Em tempos de inteligência artificial e automação, Fardo espelha a sensação de que estamos permanentemente um passo atrás das tecnologias que criamos, presos a uma dinâmica desigual em que a máquina dita o ritmo. O uso deliberadamente simples da tecnologia, um sensor de presença e um motor, revela um jogo perverso: somos nós que ativamos o sistema, mas é ele que impõe as regras. Afinal, quem está realmente no controle? 

Fúrias, 2021
Diego de los Campos
Instalação interativa com 4 esculturas 
galhos, motores, lâmpadas, sensor 
dimensões variáveis 

Fúrias é uma instalação composta por quatro esculturas cinéticas feitas de galhos de árvores recolhidos na rua, evocando um bestiário particular em que a natureza se reconfigura em seres surpreendentes e imprevisíveis. Animadas por motores rudimentares que se ativam com a presença do público, essas entidades desafiam qualquer ilusão de controle: embora o motor funcione como cérebro e os cabos como sistema nervoso central, o conjunto resulta em movimentos erráticos, caóticos, porém sonoros, estéticos e sugestivos. A coreografia intermitente das Fúrias instala um embate simbólico entre natureza e cultura, entre a organicidade imprevisível da vida e a tentativa humana de estruturar o mundo através da técnica. Fúrias evidencia não apenas a artificialidade do domínio tecnológico sobre o natural, mas também o futuro incerto da relação entre humanos e autômatos, num cenário onde a autonomia das máquinas se expande enquanto o destino da nossa própria espécie permanece indeterminado. 

Moto contínuo, 2020
Moola
Instalação generativa
Dimensões variáveis 

Moto contínuo,é um dispositivo que explora a ressonância da matéria através de um toca-discos artesanal, onde a agulha é substituída por um prego de aço que percorre a superfície de uma pedra de mica. O resultado é um som mineral que reverbera a voz da pedra. Ao lado do toca-discos, um monitor traduz as vibrações da pedra em gráficos generativos que remetem a sismogramas, evidenciando a pulsação invisível da matéria. O trabalho propõe um deslocamento de escala: aquilo que normalmente se manifesta em tempos geológicos e em profundezas tectônicas ganha aqui uma escuta imediata, direta e quase ritualística. Moto contínuo marca um contraponto à imaterialidade dos dados e ao automatismo dos sistemas digitais, ancorando-se em uma materialidade sensível, onde a inteligência do mundo mineral se revela não como um código a ser decifrado, mas como uma potência em ato. 

Ruído, 2025 
Moola
Site-specific
Camera, projetor, algoritmo personalizado
2 x 3m 

Ruído, do coletivo Moola, é um dispositivo de captura e projeção que torna visível a lógica opaca dos algoritmos de vigilância e extração de dados. Uma câmera rastreia o espaço expositivo, captando em tempo real parte das obras e dos visitantes. A imagem, processada por um sistema de blob tracking, gera uma sobreposição de números e gráficos na projeção, sugerindo uma análise informacional precisa. No entanto, esses números não possuem significado real, são meras variações de contraste de luz, um fluxo abstrato que remete à nossa crescente exposição a sistemas de controle que operam de maneira invisível e incompreensível. A projeção acontece sobre uma superfície opaca, porém translúcida, criando diálogos entre as diversas obras da exposição, incluindo uma das Fúrias, de Diego de los Campos, enclausurada em um “aquário” que remete tanto às salas de interrogação quanto aos data centers e outros não-lugares ao avesso, resíduos da sociedade de controle. A obra sugere um estado de vigilância constante, em que corpos e informações são filtrados, quantificados e traduzidos em dados cuja finalidade permanece incerta. Assim como os algoritmos que mapeiam padrões de comportamento nas redes sociais e dispositivos móveis, Filtro explicita o paradoxo contemporâneo: geramos e consumimos dados o tempo todo sem compreender seu significado ou suas implicações. No cruzamento entre rastreamento e ruído, opacidade e transparência, a obra revela uma incerteza fundamental da era digital – a sensação de que algo está sendo medido, mas nunca verdadeiramente compreendido. 

Coleção Crítica, 2025 
Moola
Instalação video em 8 canais

Coleção Crítica é uma instalação em 8 monitores de led que exibe o gesto cotidiano de uma mão deslizando por uma sucessão de posts arquivados pelo coletivo Moola. Como uma coleção particular de fragmentos digitais, os vídeos apresentam conteúdos que transitam entre ciência, geopolítica, inteligência artificial e pensamento crítico, compondo um inventário de ideias e discursos que circulam no ecossistema informacional contemporâneo. O formato, que remete à navegação em um feed de rede social, revela tanto a ubiquidade desse gesto quanto a curadoria implícita que determina o que é visto, armazenado e esquecido. A obra propõe uma reflexão sobre os modos de acesso e circulação do conhecimento, questionando como a acumulação incessante de informações impacta nossa capacidade de síntese e aprofundamento. Ao transformar um hábito corriqueiro em um dispositivo de leitura expandida, Coleção Crítica evidencia a tensão entre imersão e superficialidade, entre acesso e dispersão, trazendo à tona o paradoxo da era digital: nunca se teve tanto conhecimento ao alcance das mãos, e nunca foi tão difícil distinguir entre ruído e sentido. 

30 gestos +, 2020 - 2023
Leandra Espírito Santo
Instalação bronze patinado

30 gestos + (2020-2023), de Leandra Espírito Santo, traduz um vocabulário digital em matéria sólida: suas esculturas em bronze replicam, com a própria mão da artista, os 41 emojis de gestos manuais disponíveis no WhatsApp, numa série que se expande conforme novas iconografias emergem nas redes. A obra propõe uma fricção entre a instantaneidade da comunicação digital e a permanência da escultura, revelando as contradições dessa linguagem visual simplificada. Se, por um lado, os emojis facilitam a rapidez da escrita e a disseminação de afetos, por outro, reduzem a complexidade da expressão humana a um repertório finito de signos. Ao trazer para o espaço físico esses gestos condensados, a artista explicita o paradoxo de um mundo cada vez mais mediado por códigos que, na ânsia de eliminar ambiguidades, frequentemente amplificam os ruídos, evidenciando as dinâmicas contemporâneas que transformam a comunicação, e em última instância a nossa capacidade de descrever e compreender o mundo. 

Hibridomas, 2020 / Corpos Micofílicos, 2024-2025 
Ian Diesendruck
Esculturas dimensões variáveis

Nesta serie, o artista transforma resíduos plásticos em organismos escultóricos, onde o descarte industrial se reconfigura como suporte para a vida. Criadas a partir do aquecimento e modelagem de PET coletado pelas ruas de São Paulo, essas formas sinuosas abrigam plantas vivas em seu interior, instaurando um paradoxo entre o sintético e o orgânico. O plástico, vestígio da sociedade de consumo e da acumulação de resíduos, torna-se aqui uma estrutura fértil, um recipiente para processos biológicos em contínua transformação. A obra propõe uma outra perspectiva sobre a relação entre matéria, tempo e regeneração, desviando o olhar da lógica do desperdício para uma poética da resiliência. Ao fundir natureza e artifício, as obras da série evidenciam a capacidade da vida de se infiltrar e reivindicar espaço mesmo nos materiais mais improváveis, reafirmando que, mesmo na era do plástico, a inteligência da matéria segue ativa, adaptável e insurgente. O artista também apresenta duas obras da série Corpos Micofílicos, onde o micélio assume o papel de agente escultórico, expandindo-se e consolidando-se em formas imprevisíveis. Diferente do plástico, que cristaliza a memória de um tempo artificialmente interrompido, o micélio cresce, ocupa espaços e metaboliza a matéria ao seu redor, evidenciando processos de simbiose, dissolução e regeneração. Se os resíduos plásticos da primeira série são um sintoma do acúmulo e da inércia dos ciclos industriais, o micélio, em sua contínua transformação, aponta para uma inteligência distribuída e rizomática, que articula colapso e criação. Ao reunir essas duas séries na exposição, o artista propõe um diálogo entre distintos regimes de tempo e materialidade, confrontando o espectador com a urgência de repensar as fronteiras entre controle e espontaneidade, degradação e potência, natureza e tecnologia. 

 

Magnetitas Orbitantes, 2020
Moola
Instalação analógica generativa
Dimensões variáveis

Magnetitas Orbitantes, é um sistema dinâmico onde matéria, energia e acaso se encontram. Sobre uma superfície branca e lisa, pedras de magnetita parecem ganhar vida, movendo-se, empilhando-se e desmoronando em resposta a um campo magnético invisível que reorganiza constantemente o espaço, gerado por um motor que movimenta ímãs de neodímio sob a estrutura. Cada pedra, com seu formato único, determina sua própria trajetória, criando esculturas efêmeras que colapsam e se reconstroem num ciclo incessante. O atrito contra a superfície desenha rastros concêntricos, como sismogramas de forças imprevistas, enquanto os impactos ressoam em um ruído metálico que reforça a presença física da matéria em movimento. Assim como Moto contínuo, outra obra do coletivo Moola presente na exposição, Magnetitas Orbitantes desloca o olhar da tecnologia como ferramenta de escrutínio para uma perspectiva onde a materialidade manifesta suas próprias dinâmicas, revelando uma inteligência imanente às coisas aparentemente banais do mundo. 

Untitled, 2025
Fernando Velázquez e Ian Diesendruck
Instalação

Esta instalação emerge como uma fusão entre sistemas biológicos e eletrônicos, um híbrido conceitual que se constrói no próprio diálogo instaurado pela exposição. A obra combina L1, After Dan Flavin, de Fernando Velázquez, um conjunto de 16 lâmpadas que evocam uma rede neural primitiva, pulsando em padrões gerados por um algoritmo generativo, com uma das esculturas orgânicas de Ian Diesendruck, oriunda de suas pesquisas com plantas e materiais reaproveitados. Juntas, as duas peças estabelecem uma tensão entre o pulsar eletrônico da luz e o crescimento silencioso da matéria viva, questionando as fronteiras entre artifício e natureza, sintético e orgânico, cálculo e espontaneidade. Nesse encontro, o ritmo da iluminação sugere a atividade elétrica de um cérebro, enquanto a obra de Diesendruck reafirma uma inteligência enraizada na biologia, em ciclos de regeneração e adaptação. Ao invés de uma justaposição, o que se forma é um organismo híbrido, onde luz e matéria convergem em um sistema pulsante, um campo de interações que evoca tanto a codificação binária quanto a lógica profunda da vida. 

Aceita?, 2013 - 2025
Moisés Patricio
Sequência de imagens analógicas, e imagens e vídeos feitos com IA
Dimensões variáveis

Aceita? de Moisés Patrício é uma série em expansão há mais de uma década, na qual o artista coloca a própria mão como gesto de oferenda e questionamento. Como sacerdote do candomblé e artista negro, Patrício transforma sua mão em um espaço de inscrição simbólica e resistência, intervindo nela com signos que vão do simples ponto de interrogação a objetos ritualísticos e elementos do seu cotidiano. A série articula e tensiona raça, espiritualidade e os desafios estruturais enfrentados pela população negra, assim como a permanência e transformação das filosofias de matrizes africanas no Brasil. Recentemente, ao integrar a inteligência artificial em seu processo, o artista expande, por um lado, a potência iconográfica e, por outro, escancara os vieses algorítmicos em imagens de refinado estranhamento, ampliando o confronto entre tecnologia, ancestralidade e a própria definição de inteligência. 

Autonomous Trap 001, 2017 
James Bridle
Documentação de Performance 

Autonomous Trap 001 (2017), de James Bridle, materializa um paradoxo entre inteligência artificial e lógica simbólica ao aprisionar um veículo autônomo dentro de um círculo de marcações viárias contraditórias. Inspirado em rituais mágicos, o artista desenha no solo uma configuração que combina uma linha externa tracejada, sinalizando permissão de passagem, e uma linha interna contínua, indicando proibição. O resultado é um dilema algorítmico: incapaz de interpretar a ambiguidade da sinalização, o carro permanece imobilizado, prisioneiro de sua própria programação. Criada no Monte Parnaso, local historicamente associado ao oráculo de Delfos e à busca por conhecimento, a obra tensiona nossa crescente dependência de sistemas autônomos e suas limitações cognitivas. Autonomous Trap 001 revela como a tecnologia, por mais avançada que pareça, ainda pode ser ludibriada por estruturas de significado que transcendem a lógica binária, sugerindo que o pensamento humano, em sua complexidade, ainda detém formas de inteligência que escapam à máquina. 

Ecos do Futuro, 2025
Sandra X
Paisagem sonora quadrifonica
10´24´´

Ecos do Futuro, de Sandra X, é uma instalação sonora quadrifonica que propõe uma imersão sensorial e conceitual na pergunta central da exposição: Que inteligência é essa? Construída a partir da voz da artista entrelaçada com paisagens e ambientações sonoras do mundo contemporâneo, a obra estrutura um mito fragmentado sobre as múltiplas concepções de inteligência e vida. Através de uma montagem dialógica que atravessa autores e teorias diversas, a instalação questiona as narrativas hegemônicas da humanidade e sugere outras possibilidades de contar sua história. Por sua natureza quadrifonica, Ecos do Futuro expande-se pelo espaço expositivo, dissolvendo fronteiras entre as obras e instaurando um campo acústico em constante transformação. Os sons emergem de diferentes pontos, variando em intensidade e deslocando a percepção do visitante, que se torna parte da composição sonora conforme se move. Assim, a obra não apenas reflete sobre os modos de conhecer e existir, mas também incorpora uma inteligência sensorial, uma escuta expandida que ressignifica a experiência corporal no ambiente da exposição. 

 

Funcionamento: 
10 a 14/03 das 10h às 19h 
15/03 das 10h às 16h 
Al. Gabriel Monteiro  da Silva, 1080. 

Conversas diárias as 17h.

Design Week São Paulo 2023

Março de 2023

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO CRESCER?

TEXTO POR FELIPE MOROZINI
Imagine-se você num tamanho pequeno, onde tudo ao seu redor também diminuiu.
Ou tudo aumentou. Ao mesmo tempo.
Agora imagine alguém que vive com os olhos na altura da grama, percebendo o que ninguém percebe. 
Dando valor a outras coisas, pequenas grandes coisas. 
Foi assim que Manoel de Barros viveu. E é assim que começamos a entrar no universo do DW deste ano. Com algumas percepções sobre o assunto, costuramos os pensamentos de Manoel, para introduzir nossas reflexões:


“Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas. 
Que a importância de uma coisa não se media com fita métrica nem com balanças. 
Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.
O mundo meu é pequeno, Senhor.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das 
coisinhas do chão – Antes que das coisas celestiais.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Eu queria fazer para mim uma naturezinha particular. 
Tão pequena que coubesse na ponta do meu lápis.
É no ínfimo que eu vejo a exuberância.
Prezo insetos mais que aviões.
Meu quintal é maior do que o mundo.”
Manoel de Barros


Esta exposição trata de miniaturas de móveis e objetos, as quais possivelmente
despertam interesse desde que os móveis em tamanho real se tornaram elementos de civilização.
Embora as miniaturas de mobília possam ser observadas por suas funções
ritualísticas desde a antiguidade, também são reconhecidas como símbolos de móveis reais e percebidas por seu caráter lúdico, como peças de brinquedo, ou por sua função, como peças de uso. 

Porém, há outro aspecto relativo ao elaborado processo de feitio de móveis no século XVIII, em que um artesão qualificado deveria demonstrar sua capacidade de produzir peças em miniatura perfeitamente iguais àquelas em tamanho natural, em dimensões reduzidas, como uma experiência que fazia parte do processo da criação e excelência.

E foi assim que começamos a materializar nossa exposição. Reunir designers, artistas e artesãos para transformar seus móveis e objetos numa escala diminuta, onde você deve estar atento aos detalhes.  Instalações que questionam repetidamente nossa escala e mudam a perspectiva do objeto e do observador. Maquetes, dioramas, ninhos de pássaros, vale tudo para contar essa história. Fazer dessa escala lugar de afeto mas também de estudo. Prestar atenção. Fingir ser criança. Ser criança.

 

ARTISTAS E DESIGNERS CONVIDADOS

ARISTEU PIRES @aristeupiresdesign

 

ATELIER MARKO BRAJOVIC @markobrajovic

 

CAROL GAY @carolgay

 

ESTUDIO ORTH @estudioorth

 

GIACOMO TOMAZZI @giacomotomazzi

 

GILBERTO GOMES @gilbertogomes___

 

GUSTAVO BARROSO @gustavobarroso.eth

 

GUTO REQUENA @gutorequena | LATTOOG @lattoog

 

GUIDO ZIMMERMANN @guidozimmermann_art

 

HELENA LEOPARDI @atelierleopardi | RONALD SASSON @ronald_sasson_

 

IGOR SABAH @igorsabah

 

INSTITUTO CAMPANA @institutocampana

 

LEO CAPOTE @leocapote

 

LUCAS NEVES @lucasneves_atelier

 

MARCELINO DE MELO GADI @quebradinha_

 

NAZARENO RODRIGUES @nazarenorodrigues

 

OIAMO DESIGN @oiamodesign

 

PEDRO ÁVILA @avilapedro

 

ROCHELLE COSTI (IN MEMORIAM) @lucianabritogaleria

 

STEPHANIE PERLA @189.design

 

STUDIO MK27 @studiomk27

 

TOMAZICABRAL @tomazicabral

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